Quarta-feira, Maio 13, 2009

Ainda em Maio ...

Este post está em edição já há algum tempo. Como não termina e eu fiquei preso à ele, vou posta-lo com está e depois faço as edições.

Era uma vez em Maio ... Todos os passeios têm um começo e este não foi diferente. Poderia ter dito que começamos da porta de casa, mas como na estação de comboios tem um relógio é de lá que indico o começo. E já começamos atrasados. O combinado era estar na casa da Marinha por volta das 7:30h e como podem observar ainda estávamos na estação do comboio e já passara do horário.


De comboio era mais 10min e depois mais 1, 2 ou 3 a pedalar até o Arsenal da Marinha, ponto de encontro para o início do passeio "Nós pedalamos - Lisboa/Loures". A entrada do Arsenal fica bem em frente à praça do Município, tem-se acesso por um túnel para um grande pátio interno. Passamos tantas vezes pela frente e nunca tínhamos notado o tamanho das instalações, talvez por sempre andarmos pela rua do Arsenal e nunca pela av. da Ribeira das Naus por onde pode-se ver melhor todo o complexo.



Depois de passar pelo túnel da entrada, demos no pátio onde já encontravam-se quase todas as pessoas da organização (GEOTA) e os voluntários. E nós éramos voluntários e deveríamos ter chegado bem antes, como não chegamos a tempo acabamos por não ter a t-shirt da organização (branca) e ficamos com as vermelhas iguais a dos outros participantes. Estávamos todos lá. Bruno e Ana (Cenas a Pedal), Gonças (MaFynBach), Enzo (Ciclo-Via), Hernani (HernaniCardoso) e o Miguel, além é lógico de mim e da esposa todos representando a Ciclo-Via e da Cicloficina. Tudo por conta do Gonças que descobriu o passeio e lançou no fórum da Ciclo-Via o desafio para aderirmos como voluntários. Vou explicar.


Como já devo ter escrito por aqui em algum lugar, sempre que podemos nos reunimos para uma pedalada semanal, normalmente aos domingos (por isso "domingadas"). Como apareceu este passeio, o Gonças sugeriu no fórum da Ciclo-Via que fossemos todos mas com o objectivo de ajudar, não só de pedalar. E como ajudar? Um dos projectos da Ciclo-Via é a Cicloficina de Linda-a-Velha, que tem como inspiração a Cicloficina (Lisboa), então porque não fazermos nós uma Cicloficina móvel no passeio? Ideia aceita por todos. O Gonças então, em contacto com a organização da GEOTA, disponibilizou o serviço. Nem preciso dizer que aceitaram e ainda espantaram-se por nunca terem tido algo no género. Agora vocês podem perceber melhor o motivo pelo qual nós tínhamos que estar tão cedo no local. Éramos nós os responsáveis por eventuais reparações de última hora. E o passeio iria começar as 9:00h.



Interessante este conceito, dar apoio antes e durante um passeio que poderia ter até 600 participantes. Com as ferramentas em prontidão, fomos para o espaço reservado para os ciclistas que faziam parte da organização. Como o conceito era totalmente novo, as pessoas que chegavam não sabiam que havia "mecânicos" prontos para encher um pneu, reparar um furo ou mesmo deixar funcional um sistema de mudanças avariado. E tivemos todos estes reparos para fazer antes do início. Enquanto uns trabalhavam e sujavam a mão de graxa, lógico que tínhamos quem estava pronto, ou no caso pronta, para fazer a publicidade. Lá foi a Ana dar entrevista.



Ana com a repórter e o Enzo a encher pneus, assistido pelo Bruno que verificava se o serviço estava a ser feito adequadamente. O Bruno e o Miguel são os que mais entendem de mecânica, eu o Gonças e o Enzo enganamos bem o Hernani prefere dar assistência e a Ana e a Kátia ajudavam como podiam. Seguravam uma bicicleta para não cair, dava entrevista e pedalavam, não necessariamente neste ordem. Bom ser voluntário implica em trabalhar sem remuneração, mas no caso até que tivemos o que foi muito bom. Ganhamos as t-shirts e não foi preciso pagar a inscrição. Mas vamos ao trabalho.


Estava lá o Miguel a arranjar uma mudança traseira que chegou desmanchada. Os participantes a chegar, alguns com pneus vazios, outros com furos e corre para desmontar roda, retirar a câmara-de-ar, passa cola, coloca o remendo, monta o pneu, enche de ar e ... não ficou. Algo, na pressa não foi bem feito, provavelmente a cola não teve tempo para curar e o remendo não aguentou. Mas não tem problema. Desmonta a roda outra vez, tira a câmara-de-ar e coloca outra, que havia sido trazida como back-up. Nosso objectivo era não deixar ninguém para trás. E já estava na hora da partida. Agora, aproximadamente 500 ciclistas teriam que passar pelo túnel de entrada, que no caso era a saída, para ganhar as ruas e iniciar o passeio.


Toca lá todo mundo para o funil! Em uma rápida reunião, decidimos quem iria para os dois cruzamentos que estavam sob nossa responsabilidade, quem iria andar no meio do pelotão e quem iria ficar por último junto ao carro vassoura. Como não sei quem foi para aonde, sei que eu, o Miguel, o Bruno e a Katia ficamos para o fim do pelotão. E passa bicicleta que não acaba mais, uns empurram, outros estão a pedalar. Tem grupos de btt, daqueles que competem e tudo. Tem quem foi com bicicleta de estrada mesmo sabendo que pelo caminho encontraríamos piso ruim e terra, ou será que eles não sabiam. Tem quem nunca pedala e aproveitou para estrear a bicicleta. Gente de todos os tipos físico e idades.


Um "mar" de t-shirts vermelhas, muitos com capacete, outros com protecção contra chuva, que acabou por não cair e todos com muita vontade de pedalar. Mesmo na entrada do túnel ainda tinha bicicleta que precisava de reparo. O gente! Imagine-se a sair para uma viagem e nem verificar o veículo para saber se tudo está bem. Não pedalaríamos tanto assim, a previsão era de aproximadamente 24km até a chegada em Loures, mas para muitos dos que estavam lá era mais do que atravessar Portugal de carro, ainda mais se atravessarmos de leste a oeste.


Encosta aqui, tira o banco e enche o pneu. Como é? Isso mesmo, o cano do selim era também uma bomba para encher o pneu. Se enche mesmo eu não sei, mas lá ficou ele a tentar. Como o pelotão já estava quase todo na rua, fomos nós atrás. Saída do túnel, demos na rua do Arsenal. Para quem já passou de bicicleta por lá sabe que é muito ruim para pedalar. Tem carris do eléctrico e nenhum alcatrão é tudo paralelepípedo, mas estávamos no fim e não tinha ninguém partido por lá, o que dá para concluir que todos passaram bem. Tomamos a direcção da praça do Comércio, viramos à direita depois da praça e portanto em contra-mão, pois não se pode ainda passar na frente da praça junto ao rio, e entramos na Av. Infante Dom Henrique.



Nem mesmo entramos na Av. e mais um pneu furado. Bolas, tudo bem que éramos mais, ou melhor, aproximadamente 500 ciclistas o que dá mais de 1000 pneus, mas eu já rodei pra lá de 3800km e só tive um furo. Se pensarmos, em menos de 500mts já era o segundo. Paramos para o reparo e como remendar estava fora de questão pela demora da cola em "curar", saca mais uma câmara-de-ar e toca por a bicicleta para arrumar dentro da carrinha vassoura. Continuamos e nesse ponto já tinha falado para a Katia não parar e seguir o final do pelotão. Ficamos eu o Miguel e o Bruno e não é que pouco mais a frente outro furo. Agora já sob o viaduto da Av. Mouzinho de Albuquerque. Desta vez em uma bicicleta de estrada. Emprestar câmera-de-ar estava fora de questão aí o Bruno sacou do coringa. Remendos rápidos que não precisam de cola. Desmonta tudo, acha o furo, lixa a borracha, saca a protecção do remendo e cola na câmera-de-ar. Monta tudo e torce para dar certo. Pneu de "estradeira" é um saco! Duro para sair e entrar, ainda bem que eu fiquei só no apoio moral.



Neste ponto até o carro vassoura passou por nós. Estávamos mesmo para trás. Mas tudo bem, pedalar mais forte. Saímos eu e o Miguel para alcançar o fim do pelotão, os dois com bicicletas de Btt, pneus largos cheios de cravos, suspensão total e dá-lhe pedal. Estávamos próximos de 40km/h quando o Miguel pergunta se tínhamos vento a favor. Pelo que podia ver pelas poucas bandeiras pelas quais passávamos não parecia e um pouco depois do terminal de grãos o vento começou a bater de frente. Eu enconstei na roda do Miguel e deixei ele continuar a puxar, mas mesmo assim senti que não conseguiria manter muito mais aquele ritmo. Não me fiz de rogado e deixer o Miguel tomar a dianteira. Pensaram que eu diria que estava a frente. Que nada, era um passeio e o Miguel está muito melhor condicionado. Chegamos a rotunda que dá acesso à Av. Infante Dom Henrique (estávamos a andar na rua da Cintura do Porto) e junto a um grupo que estava por último. O carro vassoura estava mais a frente e nós não sabíamos se o caminho era pela avenida ou continuava pela rua da cintura. Bom continuamos pela rua. Eu e o Miguel passamos pelo grupo e já nos armazens dirigimos o grupo de volta para a Avenida. Neste ponto eu fiquei por último e segui ao fim do pelotão. Mesmo ao fim. Não estavamos nem na metade do percuso e já tinha ciclista que não aguentava mais pedalar e um dos motivos mais comuns era o desconhecimento básico da ergonomia do exercício. Não que seja preciso conhecimentos científicos para andar de bicicleta, mas um mínimo de noção é necessário. E um dos pontos que mais prejudica a pedalada é a altura do banco. Se deixarmos o banco baixo demais, cansamos rapidamente os musculos da coxa (nem vou procurar o nome do músculo agora) e se o banco estiver alto demais, podemos prejudicar os joelhos. Normalmente quem não tem costume em andar de bicicleta, tavez por uma questão de segurança, opta por deixar o banco baixo. E o que acaba por acontecer? Nem bem anda alguns quilómetros e as pernas já estão acabadas. Lá está o Bruno a ensinar uma ciclista a achar a melhor posição para a altura do banco.

Neste ponto chegamos ao Parque das Nações e aqui foi um pouco confuso para passar. Não porque estávamos fora da estrada e sem um caminho marcado, neste ponto a organização colocou ciclistas nas mudanças de curso para orientar todos os outros no pelotão inclusive a Ciclo-Via foi responsável por alguns dos pontos de orientação. Mas nesta parte do percurso existem vários cafés abertos e muitos não resistiram a tentação e pararam para comer. Nem preciso dizer que ai vira bagunça, com a ponta do pelotão/passeio lá na frente e com alguns com pressa e o fim na maior tranquilidade a tomar um café e bater papo. Enfim vamos prosseguir que ainda temos uma boa parte do percurso.

Ainda no Parque das Nações, passamos todos por sob a Ponte Vasco da Gama e continuámos em direcção à Foz do rio Trancão.

(em constante actualização) ...























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