Quase um mês que nada escrevo aqui. Não foi falta do que falar/escrever. Não mesmo. Para quem escreve sobre mobilidade em duas rodas, talvez Setembro foi o mês que mais notícias surgiram nos meios mediáticos tradicionais. Todas frutos da Semana Europeia da Mobilidade (e no Brasil da Semana Nacional de Trânsito e do dia mundial sem carro). Neste mês, ou melhor nos dias desta semana, muitas foram as notícias que colocaram a bicicleta em evidência. Mas propositadamente nada escrevi sobre elas. Não que eu tenha deixado a minha verve crítica de lado. Não deixei. Gosto de escrever e pricipalmente contar aquilo que vi ou li, mas neste último mês preferi o silêncio.
Depois do último “post” onde conto meu pequeno infortúnio, a redução nos meus deslocamentos em bicicleta acabaram por colocar-me em modo de reflexão. Ainda tenho pequenas sequelas da queda que acabam por limitar-me os deslocamentos (tenho o pulso direito e o ombro esquerdo ainda doridos (doloridos) e passar muito tempo sobre a bicicleta acaba por ser penoso) então a reflexão não foi voluntária. Até porque escrevi e sigo o princípio que se caiu, levanta e retoma o caminho (dentro das possibilidades). Só para deixar claro este ponto de vista, mesmo com as limitações nos deslocamentos, percorri no mês de Setembro 245km (a foto do conta-quilometros já tem quase 100km do mês de Outubro). Mas como disse acima, este mês foi de reflexão e silêncio.
Um momento para pensar sobre a vida ,o mundo, as pessoas que estão perto (e perto já não significa só a pequena distância), o “blog”, os “bloggers” (estou usando este termo consoante ao Marcobitaites (99-por-cento-de-que-afinal), foi lá que vi o termo pela primeira vez), enfim, aquilo que eu prezo e dou importância. Então se vocês esperam ler sobre bicicletas e passeios, sinto em informar-lhes que não encontrão neste “post” muito sobre o assunto. Se quiserem podem parar de ler. Se tiverem coragem vão em frente.
Vou escrever um pouco sobre minhas reflexões (lá vem ele). A começar pelo “blog”. Por princípio não tinha vontade de escrever em um “blog” e eu digo por princípio (e não “no começo”) pois nunca fui de escrever principalmente sobre mim, os que estão próximos e minhas opiniões. Mas quando viemos para Portugal (eu e minha esposa), encontrei uma forma de contar as novidades que vivíamos aqui para os familiares e amigos que estão no Brasil. Escrevia um relato semanal e mandava por email (cheguei a ter mais de 100 endereços para o envio), mesmo assim recusava-me em escrever um “blog”. Achava que era algo no género (não sei se o acordo ortográfico já é para ser levado a sério e nem sei se género vai passar a ser gênero e pior, perdi meu corretor português) diário adolescente, com os segredos que não escondemos dos outros e queremos que todos saibam (por isso por princípio). Quando as novidades semanais decresceram na proporção do aumento do trabalho, não tinha assunto para os relatos então pensei em fazer uma página “web” onde pudesse colocar as novidades, mesmo que poucas, e complementar com os assuntos em ordem por Portugal. Como precisava hospedar a página em algum lugar gratuito e os meus conhecimentos em “html” são nulos perdia muito tempo na formatação da página e não sobrava nada para o conteúdo. Assim por um tempo fiquei sem escrever para os “leitores” que ficaram em terras distantes. Mas passei a acompanhar uma série de “blogs” e acabei por perceber que a minha concepção era errada. Bom, acabei por render-me ao estilo “blogger” e após definir um tema central que é muito importante para mim (a mobilidade, o meio-ambiente e o futuro das cidades), comecei este humilde “blog” que já tem mais de 1000 visitas em pouco mais de 3 meses de vida. Uma vez entregue (ao meio mediático), tinha em mente que um “blog” deveria ter uma frequência nos “posts” e achei que um “post” a cada 2 ou 3 dias seria o ideal. Dá tempo para que todos leiam com atenção, tanto os que procuram o “blog” com assiduidade como os que passam de vez em quando. Mas falhei na partida, ainda não cheguei neste patamar. Outra ponto é quanto aos comentários. Muitos “bloggers” travam uma certa “conversa” nos comentários. Eu não sei se lá é muito indicado para isso, ou melhor, ainda não defini o que fazer. As vezes acho que deve-se explicitar e passar este “dialogo” para um post. Realmente ainda não sei. Mas vamos em frente nas considerações.
Neste pequeno lapso de tempo em que comecei o “blog” tive a oportunidade de conhecer outros “bloggers”. Assim se deu com a Ana e o Bruno (http://www.cenasapedal.com/blog/), a Aninha (http://aninhaneumann.blogspot.com/), o Gonças (http://mafynbach.blogspot.com/), o Hugo (http://mozambiquebikeculture.blogspot.com/), o Rui (http://cycletamobile.blogspot.com/) para citar os que estão mais “próximos” e até mesmo o que foi no começo um conhecimento virtual, passou para o real no caso da Ana e do Bruno e também do Gonças. Mas o que importa nisto tudo foi o que o Hugo escreveu e cito aqui: “E é muito bom ver que a bicicleta permite esta partilha lusófona entre vários continentes.”. E eu acrescento (sem ter certeza se não li em outro lugar e estou a plagiar) a partilha das realidades locais e como a bicicleta é vista em meio ao contexto social de cada país. Assim formamos uma rede informal, um meio não oficial de notícias e principalmente de opiniões a procurar enfatizar e defender o uso da bicicleta como meio de locomoção em prol das cidades em que vivemos e com fim último a defesa do nosso meio-ambiente (com hífen ou sem?). Mas acabamos por incorrer em um erro (ao meu ver e alertado por “expert” no assunto). Focamos nossa visão, principalmente, em nossos “blogroll” e nos meios mediáticos oficiais e não olhamos para os “blogs” que tenham uma visão diferente de nós. Pelo menos isto ocorre comigo e acabei por generalizar, mas lanço aqui um desafio. Quem dos que aqui citei acompanham “blogs” que falam de assuntos contrários aos que abordamos? Peço que os indiquem pois gostava de também poder ler.
E já que citei vamos a ele, o mundo (meio-ambiente). Escolhi o tema do “blog” também por me importar com o mundo que quero viver, com a cidade que quero morar. Mas não podemos defender bem nossa opinião e os nossos ideais sem conhecer as posições contrárias. Sem conhecer o oponente. E o mais importante, saber o que de bom estas outras posições podem ter. Isso mesmo. Eu acredito que tudo e todos tem em seu princípio coisas boas e coisas ruins. Nada é só bom ou só ruim. Nem mesmo o carro. Na verdade o carro revolucionou o nosso modo de locomoção. O que é preciso fazer é limitar o carro ao ser humano e não o que ocorre, que é exactamento o oposto. Mas para isso não podemos simplismente dizer que o carro é o mal e que as pessoas que o defendem (algumas com garras bem afiadas) também são más. Temos que olhar para o todo e procurar o que podemos aproveitar. E aí chego ao último ponto da reflexão. As pessoas.
Acredito que escrevemos para todos, ou melhor, devíamos escrever para todos. É lógico que o principal é passar a nossa mensagem, o nosso ponto de vista. Mas escrevemos para os que estão perto, os que nos apoiam, para aqueles que procuram pontos de vista semelhantes e também para os que não pensam do mesmo modo. É isso mesmo. A democratização possível pela “internet” vale para todos. Todos (que saibam ler português) vão encontrar as nossas palavras e penso que temos o dever de bem nos expressar. Deixar tudo muito claro e simples (não sei se eu posso ser enquadrado nesta definição). Assim outros poderão usar o que acharem de bom no que escrevemos. Também conseguimos levar para as pessoas que se importam connosco, um pouco do nosso dia-a-dia, do que estamos a viver e experimentar. Trazemos para mais perto aqueles que estão longe, algo que a tecnologia de hoje faz tão bem. Devemos também saber ir até àqueles que estão mais distantes, chegar mais perto e encurtar distâncias é uma das finalidades da "internet". Talvez estas reflexões fiquem perdidas nesta página do “blog”. Talvez alguém aproveite algo que escrevi. O que sei é que o “post” pode ter uma vida muito maior que qualquer notícia escrita no papel e isso pode fazer toda a diferença. Basta somente que o leiam.
